quarta-feira, 29 de junho de 2011
Relato
Tudo começou no final do ano de 2010. Não exatamente tudo, mas grande parte do problema veio a tona quando parei de tomar Fluoxetina. Ah, antes de escrever mais, quero deixar claro, que este relato não visa palavras bonitas, tampouco a aprovação de alguém. Enfim, foi em novembro de 2010 que a casa caiu. A casa dentro de mim. Os alicerces que me prendiam ao chão romperam-se, e assim, eu desmoronei das alturas. E que altura! Várias vezes cheguei bêbada em casa, alias, era algo que eu adorava fazer, beber. Hoje não mais, mas naquele tempo... Anyway, ao chegar em casa, me desesperava com a solidão. Pensava que era feia, que ninguém me queria, que jamais seria feliz. Me entupi de remédios várias e várias vezes. Foi numa sexta feira que o efeito foi realmente forte. Acordei sem acordar, e inclusive, havia escrito uma carta de despedida. Acordei pensando que estava morta. Mas o enjoo anunciava que não. Eu havia sobrevivido a mais uma tentativa de suicídio, porém desta vez teve consequências. Eu tinha compromisso na parte da tarde, e passei o dia vomitando verde, devido as capsulas dos remédios. Meu amigo Vitor foi me buscar de carro para irmos até o shopping, e tudo girava em minha volta. Tive que pedir a ele que parasse para que eu vomitasse. A gosma verde novamente. Arranjei uma desculpa qualquer... comida estragada, porre. Depois disso, decidi que esta seria a ultima vez. E foi. Por uns meses. Neste ano, 2011, voltei pra Florianópolis após longas férias de verão, cheias de problemas, dentro e fora de mim. É importante dizer que sempre fui meio deprimida, temperamental, senti tudo sem excesso em toda minha vida. Comecei o ano com o mínimo de empolgação, porém tinha lá meus planos. Mas adivinhem o que fiz? Tentei me matar mais, no mínimo duas vezes. Sentindo-me inútil, triste, abandonada, sozinha. Deus, como me sentia sozinha! Como desejava cair nos braços de alguém e ficar lá para sempre. Mas não havia ninguém pra me segurar. Nessas horas somos nós contra nós mesmos, não importa o que os outros digam, não importa os amigos. Não importa que tu tente mudar de ares, conhecer gente nova. Há esse vazio que nunca foi e nunca será preenchido. (falo por mim). Há cerca de dois meses começaram as crises de pânico. Não conseguia estudar, não conseguia ver meus amigos, não conseguia falar, por achar que era tudo estupidez e saber que eu não sabia nada. Eu não tinha opinião... creio que ainda não tenha. Enfim. Cansei desta história.
Acordara cedo nesta manhã ainda não ensolarada. Alias, nem havia amanhecido e alias, mal ela havia dormido. Sentou-se na sacada e fumou o cigarro mais lento de sua vida, observando o iniciar das atividades matinais de grande parte da população dessa pequena cidade. Passavam pela rua ônibus e caminhões acelerados. Caía brevemente uma garoa.
Fumou o cigarro mais lento de sua vida, pensando em como não pensar, sentindo como se nada sentisse.
Minutos se passaram, e o frio começara a gelar suas extremidades e ao fumar o cigarro mais lento de sua vida, cogitara a hipótese de se jogar por entre o vidro que faltava na sacada. Alias nunca ela havia reparado que não havia ali vidro. Nas tantas vezes que sentou-se lá fora para fumar um cigarro escondido, não lentamente, mas como uma chaminé, nunca havia percebido a ausência daquele vidro. É um sinal? Perguntou-se. Não. Sinais não existem e bem sabe ela. Ainda mais para essas coisas, brincara consigo mesma. Jamais seria capaz de cometer suicídio. Não por ela, mas pela promessa que fizera para a mãe.
Acordara cedo nesta quase manhã, desta quase vida. Fumou o cigarro mais lento de sua vida. Sem temer, sem nem sequer prever a catástrofe que era eminente em grande parte de seus dias.
terça-feira, 21 de junho de 2011
O que é este blog? Para que serve? Estou a um passo de destruí-lo. Estou a um passo de destruir-me. Pego-me cansada tanto físico, quanto mentalmente. Nem meu sonho de sair conhecer o mundo me empolga. Tudo me deprime. Tudo tornou-se insípido a mim. Para onde vou? Tanto faz. Milhões de pessoas e uma só me compreendeu. Será que sua paciência cessou? Quem é que aguenta uma criatura como eu por tanto tempo. Logo virá a decepção, que ambos conhecemos. Logo será tão bobo pensar no passado. E tão triste esperar sabendo que não virá. Nós não nos conheceremos tão bem, pois isto é impossível. Não teremos o prazer de ter prazer juntos. Não seremos próximos, não estares juntos. E só. Assim como você prevê, eu sei também. E como dizer as coisas, que você diz antes, e eu penso igual? Será entendido como calúnia? Me julgarás pelo meu temperamento frágil, e meu instinto ciumento? O que eu sei é que não me guiarás para casas. Não verás meus olhos piscarem, e nem tocarás em minha mão. Eu, que espero sem esperar. Aonde foi a minha cota de esperança?
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Meus frutos caíram
Após o outono passar.
Murchos, e sem vida.
Apodrecidos no gramado seco.
Meus frutos caíram
Queimados pela geada que está a caminho.
As folhas secas pisoteadas pelos pés gigantes
dos caminhantes solitários.
Meus frutos caíram
Insípidos aos homens
Intocável a mim.
Meus frutos caíram
E eu já não tenho nada.
Incompreendida a mim
Calada aos outros.
Meus frutos caíram
Podres por dentro,
Podres por fora.
Semeados sem seiva
Colhidos tarde demais
Meus frutos caíram
E eu não me restou nada.
Nada,
nada.
sábado, 18 de junho de 2011
Como folhas no outono.
Minha vida de papel sendo jogada pelos ventos do sul.
Para onde vou, ainda não sei.
Tampouco se fico para assistir ao enredo
Que já sei de cor.
Há a promessa dentro de mim
Meu coração que grita
Minha alma que foge de meu corpo.
Não sou mais eu.
Sou tanto
E não sou mais nada.
Caminho por essa estrada que vão ao labirinto
De memórias,
De histórias
De vidas que nem cheguei a ser.
E por horas me deparo em meio a imensidão
de meu quase existir.
Meu lado humano
Com instinto apenas para sobreviver.
Até onde foi a minha fé?
Até que lares foi dormir a minha paz?
segunda-feira, 6 de junho de 2011
O que é? O que foi?
Há esse vazio, do que eu nem cheguei a ser
Uma vida pela metade
Um discurso interrompido.
No altar das coisas fúnebres
Foi esquecido o meu sangue.
Num cemitério assombrado
Minha alma parecer vagar
e vagar
e vagar.
Como uma errante
Em busca de um pouco de paz.
E sabendo que jamais encontrará o barco que lhe guiará para casa
Busca nadar
e nadar
e nadar.
Para chegar ao fundo e encontrar a cidade perdida.
Num céu de estrelas que nunca morreram.
E numa flor que jamais desabrochará.
O silêncio alucinante
Hoje hipnotiza.
Os olhos parados, sem vida, sem esperança.
Com um copo de vodka, que jamais a deixarão beber.
Num mar de rosas, que tão logo tornar-se-a areia movediça.
E a abelha nem sempre encontra a janela, para sair do tão pequeno quarto.
Ela voa
e voa
e voa.
E cansada, desiste,
aguardando a morte, que parece
Nunca chegar.
sábado, 4 de junho de 2011
Retorno aqui para tentar aquietar o coração. Ele, que tanto insiste em bater fortemente. Sinto-o enlouquecido, pulsando em minhas veias do pescoço. Até quando dura a força humana? Será que somos todos igualmente fortes? Pois eu me sinto um inseto diante de toda essa gente grande. Elas, as pessoas, me assustam. De fato. Mas não que eu tema ser esmagada pelos seus pés gigantes, Eu temo, como quem teme o fim.
Somos movidos pela força ou pela fraqueza? Quem dera agíssemos com a mente em paz. O mundo totalmente diferente. Eu me assusto ao ver para onde vão as pessoas.
"não é que eu odeie as pessoas, eu apenas as prefiro longe"
(Bukowski)
Hoje me bateu um desejo de escrever, seja qualquer besteira, seja qualquer coisa séria. Desejo este que pensei estar adormecido, assim como meu desejo de viver. Mas esta manhã o sol amanheceu ainda mais bonito, e o céu azulado como jamais o vira. Sinto, dentro de mim que o mundo, a natureza me diz para acordar, para sair deste doloroso sono e retomar a minha caminhada, mesmo que tenha que cruzar montanhas. Mesmo que haja muros diante de mim.
Levanto-me da cama, coloco as lentes, lavo o meu rosto e subo até a cozinha. Percebo o delicioso cheiro de café, e conformo me aproximo do fogão, ele aumenta, aguçando o meu vício, e sigo quase que instintivamente atrás de uma xícara, para então derramar dentro dela este líquido marrom que tanto aprecio.
Sento-me na varanda, como estivesse numa ladeira. Mas desta vez sei que não despencarei. Acendo um cigarro e o fumo, tomando meu café.
Estou ansiosa, tenho tanto a expressas, tanto a dizer, porém ainda não inventaram as palavras necessárias. E, infelizmente, me sento aqui a aguardar a minha próxima recaída, como o metereologista que prevê a tempestade a caminho.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
A noite vai chegando
Meu coração apertado, sentindo tudo
E não sentindo nada.
Vejo bolas de sabão
Saindo da sacada abaixo da minha.
Ascendo mais um cigarro,
É a minha última carteira.
Amanhã será um novo dia...
Ah, o amanhã...
Não tenho esperanças com a alma
Porém a mente insiste em dizer que há algo por aí.
O céu escuro
Tão escuro quanto o futuro diante dos meus olhos.
Tão vazio,
quanto o castelo a minha volta.
Escuto a mesma música
de novo,
de novo e
de novo.
Porém ela não acalma esse silêncio atordoante
Minha boca quer fechar
Meu coração quer parar de bater.
Como mover as pernas?
As lindas mulheres caminha pelas ruas,
indo a festas?
indo comprar roupas...
E eu parada
assistindo a tudo,
sem mover um dedo.
Quem dera pudesse mudar de canal.
Quem dera houvesse de fato outra visão.
Mas não,
Não pra mim.
Eu que perdi tudo, sem ter tido nada.
Eu que sonhei com um futuro
sabendo que ele jamais chegaria.
Pois fora enterrado a sete palmos,
E eu não soube dar nada de mim.
Egoísta como sou
Nem o meu nome quero dizer.
Se depender de mim,
Este quarto será meu túmulo
E não,
Não quero ser amada.
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