segunda-feira, 4 de julho de 2011

A fogueira feita dos pedaços de madeira secas
Mas nada aquece.
Nada me aquece.
O frio toma conta de todo o meu ser.
Minhas mão trêmulas
Meus pés congelados.
Não saio do lugar.
Encolhida, sob um cobertor feito de sóis
Abaixo de mim
Há apenas o precipício
Ora caio,
Ora levanto.
Haverão diários arremessados ao fogo?

Como pedra, as vezes não sinto nada
Sei que existo.
Mas isso não chega a ser uma dádiva.
E que pecado cometo ao querer tirar minha própria vida?
Como flores no jardim,
Vulneráveis ao vento, vulneráveis a tudo.

Uma única pétala,
Em meio a tantas outras.
E não há nada de diferente, não exteriormente
Mas ela está em eterna mutação.
E quão longo é o processo de auto conhecimento.
Quão distante é a estrada?
Para mim, as vezes, ela chegou ao fim.

E como é importante saber o nome.
Disso, daquilo.
Deste mal que abala minha mente,
Que me faz transbordar de emoções
Cujas denominações eu já nem sei dar?
E que monstro é esse, de oito patas
Que insiste em criar teias em minha garganta
E se alimentar de minha própria saliva?

Que zumbido é esse, que a todo instante
Me tira do silêncio que tanto admirei.
O mesmo silêncio que hoje temo
Como quem teme um furacão?
O furacão que já destruiu todos os meu alicerces
E levou tudo que um dia eu fui.
Sem restar nada?

Incerto o futuro
Que eu já nem penso mais.
Meus tormentos, hoje tão pequenos
E no entanto, tão profundos.

Com um último suspiro,
Eu pergunto, o que será de mim?
Mera criatura.
Sonhadora eu também já fui.
Apreciadora das belezas da vida.
Das sutilezas dos gestos.
Com um último suspiro,
Eu me pergunto, o que será de mim?




sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mais uma etapa em minha vida. Onde vomito aranhas engasgadas em minha garganta.
Mais uma etapa, talvez a mais critica de todos que passei.
Remédios e mais remédios.
Me olho no espelho, e adivinha?! Quem sou eu?
Como foi que cheguei a este ponto?
Larguei tudo, pra não dizer que desistir tudo.
E alguém por favor me diz o que é que eu tenho? Médicos tem disso, né. Vão nos ouvindo e ouvindo, e depois ficam receitando umas droguinhas em cápsulas.
Confesso que estou atordoada.





Enfim, fica um trecho do livro Cancioneiro de Fernando Pessoa, que estou lendo.


"Ah, como esta hora é velha!... e todas as naus partiram!
Na praia só um cabo morto e uns restos de vela falam
De longe, das horas do Sul, de onde os nossos sonhos tiram
Aquela angústia de sonhar mais que até pra si calam....

O palácio está em ruínas... Dói ver no parque o abandono
Da fonte sem repuxo... Ninguém ergue o olhar da estrada
E sente saudade de si ante aquele lugar-Outono....
Esta paisagem é um manuscrito com a frase mais bela cortada.... "