A fogueira feita dos pedaços de madeira secas
Mas nada aquece.
Nada me aquece.
O frio toma conta de todo o meu ser.
Minhas mão trêmulas
Meus pés congelados.
Não saio do lugar.
Encolhida, sob um cobertor feito de sóis
Abaixo de mim
Há apenas o precipício
Ora caio,
Ora levanto.
Haverão diários arremessados ao fogo?
Como pedra, as vezes não sinto nada
Sei que existo.
Mas isso não chega a ser uma dádiva.
E que pecado cometo ao querer tirar minha própria vida?
Como flores no jardim,
Vulneráveis ao vento, vulneráveis a tudo.
Uma única pétala,
Em meio a tantas outras.
E não há nada de diferente, não exteriormente
Mas ela está em eterna mutação.
E quão longo é o processo de auto conhecimento.
Quão distante é a estrada?
Para mim, as vezes, ela chegou ao fim.
E como é importante saber o nome.
Disso, daquilo.
Deste mal que abala minha mente,
Que me faz transbordar de emoções
Cujas denominações eu já nem sei dar?
E que monstro é esse, de oito patas
Que insiste em criar teias em minha garganta
E se alimentar de minha própria saliva?
Que zumbido é esse, que a todo instante
Me tira do silêncio que tanto admirei.
O mesmo silêncio que hoje temo
Como quem teme um furacão?
O furacão que já destruiu todos os meu alicerces
E levou tudo que um dia eu fui.
Sem restar nada?
Incerto o futuro
Que eu já nem penso mais.
Meus tormentos, hoje tão pequenos
E no entanto, tão profundos.
Com um último suspiro,
Eu pergunto, o que será de mim?
Mera criatura.
Sonhadora eu também já fui.
Apreciadora das belezas da vida.
Das sutilezas dos gestos.
Com um último suspiro,
Eu me pergunto, o que será de mim?