domingo, 23 de outubro de 2011

O sol agora ilumina outra parte do mundo
Que não é meu mundo

E todo meu amor não bastou para pessoa alguma ficar

Me encontro nesta caverna cheia de sombras que não são minhas

Olho para as ruas e apenas os carros se movimentam
Olho para as estrelas e elas nem mais estão ali.

As árvores quase são carregadas pelo forte vento que invadiu as nossas vidas
Eu olho para você e não quero dar adeus
Mas eu já me despedi há tanto tempo...

Restou-me a vaga certeza de que só há um caminho
Restou-me acreditar

Vai dar tudo certo, você me disse.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Carta para ele

Acordei inteiramente sua
Sentindo sua presença no outro lado da cama

Acordei inteiramente sua
Esperando ansiosamente pelo momento que o veria

Acordei inteiramente sua
Almejando o seu desejo incontrolável pelo meu corpo junto ao seu

Acordei inteiramente sua

E na rua paralela

Você

Acordou preguiçosamente sem lembrar-se de mim

Acordou silenciosamente abrindo a cortina branca que mal esconde o sol
Acordou com a certeza de um novo dia, tomou banho e foi trabalhar

Eu acordei inteiramente sua

Vaguei pela casa em busca da paz que eu já sentia
E eu nem sabia

Porque acordei inteiramente sua

E o tormento do balanço que me enoja
O equilíbrio eu só em ti encontro
Quando desesperada eu ti preciso

Mas você não acordou pensando nisso
Nem sequer lembrou-se dos meus braços a sua volta durante toda a madrugada

Eu acordei inteiramente sua

E enquanto o sol caminhava pelo céu
Haviam meus olhos perplexos observando as paredes brancas

Aguardando, inteiramente sua
A ligação que jamais viera

Eu acordei inteiramente sua

Mesmo sabendo que eu não sei nada além do que todos sabem
E eu nem sequer aprendo

Porque ao ser inteiramente sua
Eu ceguei meus olhos, e calei a minha boca
Meus pés enterrados na areia, eu não chego até você

Eu acordei inteiramente sua
Refém do seu sorriso e da sua voz

Eu esqueci... que antes eu fora inteiramente de um outro alguém

Meu coração navegando nesse mar vazio que machuca todas as feridas

É o mal e a cura
A cura e a dependência

Eu acordei inteiramente sua
E não quero mais chorar

Eu acordei inteiramente sua
E deito na cama
nessa noite
inteiramente
minha.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Aquelas coisas que ninguém descreve
Ninguém mais sente
Ninguém sabe o que é ser você
As palavras não nomeam
Os gestos não aparentam
A falta de lágrimas desespera.

A morte não vem e o dia não amanhece
Cadê minha mãe?
Cadê o sentido?
Não há ninguém na cama
Não há ninguém lá fora.

Por que eu?
Por que você?
Por que assim?
Não há porquê.
A vida segue,
As pessoas vão
As pessoas vem.

Pra quê?
Aonde?
Um novo mundo reinventar?
Sobre qual alicerce?
As dúvidas que rodeam
A culpa que amaldiçoa
O mar que não destroe tudo que deveria

Como ser alguém se não outro alguém?
Como roubar a dor dos outros que tanto dói na gente?
Pânico.
O que restou?
As lembranças alteradas pelo desespero
A vista borrada dos ventos que vieram tão fortes
A tempestade...
A nostalgia do que nem chegou a acontecer?
O que é foi real?
O que é foi mentira?
Não há mais nada.

Simplesmente a certeza de que hora ou outra amanhecerá
E hora ou outra....
Não será mais nada.