Sento-me diante desta janela
Os carros lá fora aguardam o semáforo mudar do vermelho para o verde
Outros dão sorte de o encontrarem aberto,
Podendo seguir adiante com seus planos
Sem os poucos segundos de espera.
Penso para onde vão os motoristas com tanta pressa
Quem dera eu ainda possuísse vontades
E principalmente o desejo para consegui-las
Não sou como o mendigo pedindo alimento
Nem a prostituta parada na esquina
Sou a passiva
A que se encontra na bolha que jamais estoura
E resmunga palavras que não interessam a ninguém
Quem dera eu fosse tão leve, que pudesse ser arrastada pelo vento
Sentar-me numa nuvem e adormecer
Mas posso ouvir tão nitidamente a voz da realidade
E mesmo de portas fechadas, tenho a sensação que alguém entrará.
Deito-me na cama para escrever mais uma inutilidade
E apesar de uma escrava da linguagem eu ser
Não sei nomear o sentimento que se apodera de mim
Observo as palavras se repetirem, e repetirem, e repetirem
Até perderem o sentido
Como caminhar em círculos.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Passaram-se horas, ônibus, jogos
Passaram-se emoções, pessoas, águas, músicas
Passaram-se semanas, meses, anos
Terminaram construções, iniciaram viagens
Criaram linguagens, fizeram silêncio
Amarraram cadarços, compraram bicicletas
Fotografaram luas
Guardaram pinturas
Renovaram o guarda-roupa, limparam o porão
Venderam a casa, trocaram o carro
Asfaltaram a rua
Envenenaram o cachorro
Quebraram a televisão
Passaram-se cores, discos, marés
Fecharam-se portas, abriram-se salões
Ampliaram-se florestas
Viraram-se páginas
Ensurdeceram ouvidos.
Passaram-se emoções, pessoas, águas, músicas
Passaram-se semanas, meses, anos
Terminaram construções, iniciaram viagens
Criaram linguagens, fizeram silêncio
Amarraram cadarços, compraram bicicletas
Fotografaram luas
Guardaram pinturas
Renovaram o guarda-roupa, limparam o porão
Venderam a casa, trocaram o carro
Asfaltaram a rua
Envenenaram o cachorro
Quebraram a televisão
Passaram-se cores, discos, marés
Fecharam-se portas, abriram-se salões
Ampliaram-se florestas
Viraram-se páginas
Ensurdeceram ouvidos.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Eu só quis não fugir
Permanecer no mesmo lugar por mais de 30 minutos
E conversar com a mesma pessoa, por quem sabe dois dias
Eu quis aparecer de frente pro sol
E me despir pouco a pouco
Sem nada a temer, e nada a julgar
Eu abri meus olhos
Quis ver o mundo e suas criaturas
Embriaguei-me de felicidade
Ausentei-me da realidade
Permanecer no mesmo lugar por mais de 30 minutos
E conversar com a mesma pessoa, por quem sabe dois dias
Eu quis aparecer de frente pro sol
E me despir pouco a pouco
Sem nada a temer, e nada a julgar
Eu abri meus olhos
Quis ver o mundo e suas criaturas
Embriaguei-me de felicidade
Ausentei-me da realidade
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