Cada vez me vejo mais e mais parecida com meu pai. Não, isso de forma alguma é ruim, só não sei se tão bom assim. Me encontro séria e observadora demais. Ontem fui a uma festa de Naturologia. Como de costume, lá estava eu, entre todos meus amigos, sentindo-me perdida e desencontrada. Em meio a um turbilhão de rostos, vozes e acenos, tendo saudade, sabe-se lá de que. Não entendo a humanidade. Sou uma eterna descontente, incrível como tão pouco me agrada, e tanto no mundo me decepciona. Pergunto-me sempre, por que é que estamos aqui? A vida que se segue não cabe nem um pouco na resposta que gosto de pensar ser correta. Não sei mais o que esperar das pessoas, dos meus amigos, da minha família. É como se todos estivessem sendo movidos por algo que os faz tender pro egoísmo. Ah, o egoísmo, que sei, que sinto, ele também paira sobre mim. Gostaria de viver em paz, encontrar a paz que tanto busco, poder párar e dizer: é isso aí, pra que mais? - Não sei o que me distingue dos outros seres humanos a minha volta, talvez nada, talvez eu seja uma mera mulher, mais uma delas. Talvez eu, ao falar tanto de egoísmo, seja a mais egocêntrica de todos. De repente me viro aos avessos, sem saber ao certo o que pensar, como se pudesse ser de qualquer maneira, basta escolher...
(insanidade mental)