sábado, 26 de junho de 2010

Vai, me diz
Pra que fugir tanto?
Como se algo a perseguisse! - mas não há nada!
O que fica são as expressões decepcionadas, as rugas de preocupação,
a boca semi aberta, prestes a perguntar
esses nunca saem da memória
o som distorcido dos passos se distanciando
o tic tac ilusório, a pressa pra alcançar algo em que nada sabe a respeito
só que não é nada presenciado até o momento
talvez seja justamente o desconhecido, que em tão pouco tempo familiariza-se conosco

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Cada vez me vejo mais e mais parecida com meu pai. Não, isso de forma alguma é ruim, só não sei se tão bom assim. Me encontro séria e observadora demais. Ontem fui a uma festa de Naturologia. Como de costume, lá estava eu, entre todos meus amigos, sentindo-me perdida e desencontrada. Em meio a um turbilhão de rostos, vozes e acenos, tendo saudade, sabe-se lá de que. Não entendo a humanidade. Sou uma eterna descontente, incrível como tão pouco me agrada, e tanto no mundo me decepciona. Pergunto-me sempre, por que é que estamos aqui? A vida que se segue não cabe nem um pouco na resposta que gosto de pensar ser correta. Não sei mais o que esperar das pessoas, dos meus amigos, da minha família. É como se todos estivessem sendo movidos por algo que os faz tender pro egoísmo. Ah, o egoísmo, que sei, que sinto, ele também paira sobre mim. Gostaria de viver em paz, encontrar a paz que tanto busco, poder párar e dizer: é isso aí, pra que mais? - Não sei o que me distingue dos outros seres humanos a minha volta, talvez nada, talvez eu seja uma mera mulher, mais uma delas. Talvez eu, ao falar tanto de egoísmo, seja a mais egocêntrica de todos. De repente me viro aos avessos, sem saber ao certo o que pensar, como se pudesse ser de qualquer maneira, basta escolher...

(insanidade mental)

sábado, 12 de junho de 2010

No meio da multidão avistei você
Quis correr, te abraçar
Meu corpo inteiro desejava isso
Teus olhos castanhos...
Eles pareciam me observar, mesmo que distantes
Assustada me dei conta...
Não era você.
E peguei-me sonhando
A cada rosto que passava, via barbas marrom e cabelos enrolados
Em um mundo em que ainda há você
um mundo em que eu não lhe perdi.