terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O tempo que você não dá mais a si mesmo
Não se deixa respirar, não se deixa estar
A paz que não há mais no coração
O amor, que veio novamente atordoando todo o seu ser

As vezes é preciso lembrar da força que outrora você teve
E resgata-la, do fundo da alma
E seguir adiante, como tantas vezes o fez,
Sem nem ao menos notar

Mesmo sem querer, você continuar na estrada
A mudança é inevitável.

Eu sinto saudade
As vezes penso que é tudo que tenho pra dar
Saudade do que nem chegou a terminar
Saudade do que nem chegou se despedir

O tempo está passando e passando
E se tornando passado, antes mesmo de ser aproveitado
E já se tornou memória,
E já se perdeu na história

E é só.
E não há mais nada

Não há sorrisos na rua,
Não há mãos para dar
Não há abraço que me segure

Não há flor para cheirar
Não há corpo para amar
Não há luz mais por aqui

Não há passos no corredor
Não há chuveiro ligado
Não há música na vitrola

Não há cortina aberta
Não há porta aberta
Não há presença na cama

Não há.

Não há livro emprestado
Não há pernas cruzadas
Não há toalha sobre o lençol

Não há.

Não há camisa xadrez
Não há frutas na tigela
Não há mais nada.

Não há cores nas paredes
Não há conversas ao telefone
Não há mais ele

Não há mais nós.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Se eu fizer um pedido
Uma única prece
Você me atenderia?

Você
se
afastaria
de
mim?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Hoje me dei o direito de chorar. Ouvir Tim Maia repetidamente e chorar. Chorar como se fosse o fim do mundo. O fim da graça. O fim do amor. O fim de tudo. Porque é assim que eu me sinto. Desesperada, angustiada. Sinto que tem algo na minha frente e que eu não consigo enxergar, e eu devo perceber isso, porque só assim poderei ser feliz.
Hoje decidi escrever sem me importar se vai rimar, se vai ficar bonito, se alguém vai ler. Hoje eu rezei, pedi a Deus que me mostre o caminho certo, porque eu tô andando em círculos e mais círculos. E perdi a segurança em mim mesma, deixei cair minha auto estima, minha graça. Minha estabilidade.
Hoje eu não me importo se acordarei com a cara inchada de tanto ter chorado. Hoje eu tô tentando acreditar em algo, acreditar que há a possibilidade de melhorar. E eu vou tentar todas as maneiras, inclusive as que eu já perdi a fé.
Hoje eu quero ter a certeza que antes eu tinha, hoje eu PRECISO da certeza que antes eu tinha. A certeza que me fazia dormir todas as noites, e acordar pelas manhãs.
Hoje eu preciso dos seus braços a minha volta, e do seu cheiro, e da sua respiração.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Sobre as tantas experiências que não vivenciei
E as muitas pontes que atravessei
Não foram capazes de me coagir a ser uma nova pessoa

Mas mudo a cada instante?

No entanto, continuo sendo a mesma.
Em meus estados de espírito que variam conforme a música
Eu não sou quem sou.

As quatro paredes deste quarto
O cheiro que fica no travesseiro
Lágrimas que n´outro dia rolaram
Hoje eu não habito em mim
Hoje eu não pertenço a esta criatura na qual me movimento

É tudo mutação.
Inquietação.
Isolamento de portas e janelas abertas

Eu,
Que sempre calei quando precisei dizer.
E que gritei com lábios cerrados
E que implorei sem me ajoelhar
Por orgulho.

Mero ser vivo neste planeta que tão logo não existirá

Há tanto a ser dito
E eu não sei mais distinguir o certo do errado
Construí muros?

Inexistência de meu ser
Fraqueza nos meus sonhos

A vida é este mar a ir e vir
As ondas que nos jogam de um lado para o outro
E pra quê?

Meus vinte anos de derrota
Vinte invernos
Poucas primaveras.

Eu não habito em mim
Eu continuo sem saber
Quem sou.