quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sento-me diante desta janela
Os carros lá fora aguardam o semáforo mudar do vermelho para o verde
Outros dão sorte de o encontrarem aberto,
Podendo seguir adiante com seus planos
Sem os poucos segundos de espera.
Penso para onde vão os motoristas com tanta pressa
Quem dera eu ainda possuísse vontades
E principalmente o desejo para consegui-las

Não sou como o mendigo pedindo alimento
Nem a prostituta parada na esquina
Sou a passiva
A que se encontra na bolha que jamais estoura
E resmunga palavras que não interessam a ninguém
Quem dera eu fosse tão leve, que pudesse ser arrastada pelo vento
Sentar-me numa nuvem e adormecer

Mas posso ouvir tão nitidamente a voz da realidade
E mesmo de portas fechadas, tenho a sensação que alguém entrará.

Deito-me na cama para escrever mais uma inutilidade
E apesar de uma escrava da linguagem eu ser
Não sei nomear o sentimento que se apodera de mim
Observo as palavras se repetirem, e repetirem, e repetirem
Até perderem o sentido
Como caminhar em círculos.

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