quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Carta para ele

Acordei inteiramente sua
Sentindo sua presença no outro lado da cama

Acordei inteiramente sua
Esperando ansiosamente pelo momento que o veria

Acordei inteiramente sua
Almejando o seu desejo incontrolável pelo meu corpo junto ao seu

Acordei inteiramente sua

E na rua paralela

Você

Acordou preguiçosamente sem lembrar-se de mim

Acordou silenciosamente abrindo a cortina branca que mal esconde o sol
Acordou com a certeza de um novo dia, tomou banho e foi trabalhar

Eu acordei inteiramente sua

Vaguei pela casa em busca da paz que eu já sentia
E eu nem sabia

Porque acordei inteiramente sua

E o tormento do balanço que me enoja
O equilíbrio eu só em ti encontro
Quando desesperada eu ti preciso

Mas você não acordou pensando nisso
Nem sequer lembrou-se dos meus braços a sua volta durante toda a madrugada

Eu acordei inteiramente sua

E enquanto o sol caminhava pelo céu
Haviam meus olhos perplexos observando as paredes brancas

Aguardando, inteiramente sua
A ligação que jamais viera

Eu acordei inteiramente sua

Mesmo sabendo que eu não sei nada além do que todos sabem
E eu nem sequer aprendo

Porque ao ser inteiramente sua
Eu ceguei meus olhos, e calei a minha boca
Meus pés enterrados na areia, eu não chego até você

Eu acordei inteiramente sua
Refém do seu sorriso e da sua voz

Eu esqueci... que antes eu fora inteiramente de um outro alguém

Meu coração navegando nesse mar vazio que machuca todas as feridas

É o mal e a cura
A cura e a dependência

Eu acordei inteiramente sua
E não quero mais chorar

Eu acordei inteiramente sua
E deito na cama
nessa noite
inteiramente
minha.

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