segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Aquelas coisas que ninguém descreve
Ninguém mais sente
Ninguém sabe o que é ser você
As palavras não nomeam
Os gestos não aparentam
A falta de lágrimas desespera.

A morte não vem e o dia não amanhece
Cadê minha mãe?
Cadê o sentido?
Não há ninguém na cama
Não há ninguém lá fora.

Por que eu?
Por que você?
Por que assim?
Não há porquê.
A vida segue,
As pessoas vão
As pessoas vem.

Pra quê?
Aonde?
Um novo mundo reinventar?
Sobre qual alicerce?
As dúvidas que rodeam
A culpa que amaldiçoa
O mar que não destroe tudo que deveria

Como ser alguém se não outro alguém?
Como roubar a dor dos outros que tanto dói na gente?
Pânico.
O que restou?
As lembranças alteradas pelo desespero
A vista borrada dos ventos que vieram tão fortes
A tempestade...
A nostalgia do que nem chegou a acontecer?
O que é foi real?
O que é foi mentira?
Não há mais nada.

Simplesmente a certeza de que hora ou outra amanhecerá
E hora ou outra....
Não será mais nada.



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