quarta-feira, 29 de junho de 2011

Acordara cedo nesta manhã ainda não ensolarada. Alias, nem havia amanhecido e alias, mal ela havia dormido. Sentou-se na sacada e fumou o cigarro mais lento de sua vida, observando o iniciar das atividades matinais de grande parte da população dessa pequena cidade. Passavam pela rua ônibus e caminhões acelerados. Caía brevemente uma garoa.
Fumou o cigarro mais lento de sua vida, pensando em como não pensar, sentindo como se nada sentisse.
Minutos se passaram, e o frio começara a gelar suas extremidades e ao fumar o cigarro mais lento de sua vida, cogitara a hipótese de se jogar por entre o vidro que faltava na sacada. Alias nunca ela havia reparado que não havia ali vidro. Nas tantas vezes que sentou-se lá fora para fumar um cigarro escondido, não lentamente, mas como uma chaminé, nunca havia percebido a ausência daquele vidro. É um sinal? Perguntou-se. Não. Sinais não existem e bem sabe ela. Ainda mais para essas coisas, brincara consigo mesma. Jamais seria capaz de cometer suicídio. Não por ela, mas pela promessa que fizera para a mãe.
Acordara cedo nesta quase manhã, desta quase vida. Fumou o cigarro mais lento de sua vida. Sem temer, sem nem sequer prever a catástrofe que era eminente em grande parte de seus dias.

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