quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que o vi na madrugada de uma quinta-feira. Ele estava tocando violão em um ponto de ônibus com mais dois caras. Eram quase 4 horas da manhã. Eu estava bêbada. De saia vermelha, com uma blusinha de botão florida, verde. Ele, eu não lembro ao certo. A única certeza é que ele estava de shorts e camiseta. Demorei vários mêses para ve-lo de novo assim, pois na maior do tempo que se seguiu, fez frio. Curitiba é uma cidade escassa de noites quentes como aquela.
Naquela noite, justamente naquela noite, eu havia decidido parar com meus remédios. Confesso que meu intuito era beber, beber e beber. Não estava nos meus melhores dias, alias, quase nunca estive neles. Mas cheguei a pensar que trocar valium por alcool valia mais a pena. No entanto acabei trocando anti depressivos, pela esperança de um amor. O amor dele. Troquei uma droga por outra. Agora sofro de abstinência dupla. Mas é a falta dele que me mata.
Hoje estava assistindo a retrospectiva de 2011. Me perguntei aonde eu estava quando 60% daquilo tudo aconteceu. A resposta é: na cama. Na minha, na dele. Na minha nunca significava algo bom. Pois estava sozinha, em pânico, dopada de rivotril e valiun. Na dele, bem, quando eu estava com ele, eu até conseguia ver a luz no fim do túnel. Mas ainda assim, chorava antes de dormir, sem nem ao menos saber de onde vinha aquela agonia toda. Eu pensava estar feliz.
Foi no dia 2 de outubro a primeira vez que de fato conversamos. Estávamos ensaiando por vários e vários dias para fazer algo, mas foi apenas na noite do dia 2 que combinamos algo. Eu fiquei assistindo on line o Rock in Rio. Queria muito ver o show do Coldplay, então, no meio de uma música fui para a casa dele. Assistimos juntos quando tocou "Yellow", e depois vimos o clipe de "The Scientist". Quanta perfeição! Eu pensava. Eu sentia. Eu tremia. Havia esperado tanto por algo assim, mais forte que eu, e lá eu me encontrava. Com o cara mais incrível daqueles tempos. Conversamos e bebemos vinho, ele perguntava, eu respondia. Sempre fui tímida, e essa coisa de socialização não é muito o meu forte. Mas ele se esforçava tanto, que eu até consegui me 'soltar' um pouco. Não sei se pela bebida que ruborizava minha face, ou se pelo sorriso dele, que me encantava a cada instante. Eu me apaixonei desde a primeira vez, e não sei o que foi que ele sentiu. Se foi apenas minha suposta beleza, se foi minha pele macia, ou se foi apenas minha "meiguisse". Mas seja lá o que for, de alguma forma acabávamos sempre nos encontrando pelas ruas. Afinal, somos vizinhos. E por muitas e muitas noites dormi na casa dele. Ora seu colchão estava no centro do quarto, ora no canto, depois n´outro. Até que lá ele se estabilizou. Gostaria muito de falar sobre o quanto ele foi perfeito, sobre como foi lindo e espontâneo a primeira vez que ele me beijou em público, e como foi maravilhoso andar de mãos dadas com ele. Sempre fui apaixonada pelas pequenas coisas. Pequenas demonstrações de afeto. Carinhos. Com ele não tinha muito disso. Com ele não tem muito disso. Com ele sou eu quem ama mais. Ou talvez eu seja a única que ame. Tão pouco tempo, dirão alguns. Mas eu sempre fui assim... de me jogar naquilo que me faz bem. O problema é que hoje, dia 31/12/11. reveillon. Hoje nada me importa, hoje nada me faz feliz. Hoje sou tomada por nostalgia e dor. E saudade. Saudade. Saudade. Um dia ela ainda me derrotará.

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