Caminhei durante várias horas pelas ruas de Caiobá, com meus fones de ouvido no último volume. Sem ser capaz de escutar o som das ondas quebrando no mar, tampouco podia ouvir os carros passando, e as pessoas conversando. Via apenas a movimentação. Movimentação de lábios, de pneus, de águas, e dos meus próprios pés. Há tempos me sinto desmoronando. Abaixo de meu corpo, só o precípicio, que tão logo caírei. Almejo solidão, tanto quanto em outros dias desejei a companhia. Preciso ficar só. Prefiro ficar só. Por mais quanto tempo machucarei as pessoas a minha volta? Quantas vezes ainda, direi frases frias, e sem o mínimo de amor, para que aqueles que eu tanto me importo?
Eu quero ficar só.
Uma pequena retificação. Na verdade eu já estou só.
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