Pra escrever esse poema, que pouco importará
A chuva cai lá fora
E gostaria imensamente que limpasse todo o meu ser
Mas não.
A loucura vai tomando conta de mim.
A solidão vem me acompanhando a tanto tempo
Solidão de sabe-se-lá o que.
Meus olhos cegados
Meus membros paralisados
Eu já não sei como ir.
Socorro
Eu não consigo mais andar sozinha.
Vejo o tempo passar, e passar, e passar
E eu continuo no mesmo lugar
Tentando a cada dia ajeitar o meu mundo
Mas é como o quarto
Que toda manhã é bagunçado.
Como explicar que nada mais faz sentido?
Se é dia, se é noite
Se faz sol ou chuva
Eu não sei qual parte de mim devo arrancar
Com uma gilete na mão, tento ter o mínimo de força.
Não tem mais ar
Não existe mais estrada a percorrer
E logo não haverá nem a mim mesma.
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