quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
as promessas
Bem, quando o relógio marcou meia noite, 00:00 horas do dia primeiro de janeiro de 2011, lá estavam as pessoas fazendo a contagem regressiva, 10, 9, 8, e eu parada, 7,6,5, homens pegando seus champagnes e os preparando para abrir, 4,3,2, eu me escondendo por trás de uma câmera, tirando fotos da minha família ansiosa e empolgada, UM. Inicia-se o show de luzes brilhando no céu. As pessoas se abraçam. Eu continuo com a câmera, fotografando, ora os fogos de artificio, ora registrando a emoção de meu irmão beijando sua namorada, os olhos de meus pais brilhando, a promessa de um novo ano, a esperança de que dessa vez a vida lhes sorrirá, e eles ficarão bem. Eu larguei a câmera, estava atrás de todos meus familiares, a maior parte de mim queria ficar sozinha, caminhar no lado contrario a eles, a outra queria abraço. Parei de piscar, tentando segurar as lágrimas que tanto desejavam sair de meus olhos. Não fez sentido. Eu olhei para o mar, e a lembrança que me assustou durante o ano inteiro foi substituída por uma sensação linda. Meu corpo estremeceu, e dessa vez por uma espécie de felicidade, como quando era criança e deitava em minha cama pra dormir, mas não conseguia nem sequer fechar meus olhos, meu corpo não parava. Eu dizia a mim que estava tão feliz, mas não havia um porque. Foi assim que me senti após os primeiros minutos deste novo ano. Me libertei da imagem assustadora dele adentrando no mar. Me libertei das noites em que chorei e dormi com as luzes acesas. E, após muito tempo tive esperança. Pulei as sete ondas, e fiz um pedido. Que haja paz, que eles fiquem bem. Pois assim, eu também ficarei.
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