terça-feira, 16 de março de 2010
Era noite. Eu caminhava pela praia, lentamente, olhando para meus pés sendo molhados pelas ondas que me alcançavam. Não há mais ninguém, não há som algum além do natural. Eu pensando, lembrando... o mar me aproxima daquele que já se foi, e no momento, tudo e só o que eu preciso é dele. Os primeiros raios de sol começam a refletir na água, vou até a parte seca da areia, tiro minha roupa, jogo-a no chão, e entro no mar. Estava ventando gelado. Mas o que é o frio físico comparado a dor de não conseguir mais sonhar? As ondas batiam bruscamente em meu corpo, mas eu continuava indo adiante, onde já não dava pé. Senti um soco em minha cabeça, água salgada em minha boca. Me entreguei, não queria lutar contra. Não havia ido ali com a intenção de desistir, pelo contrário, era pra provar a mim mesma que ainda existia força dentro de mim. O que mostrou-se mentira. Fui jogada de um lado para o outro. Cada osso de meu corpo doía. Aos poucos eu era um nada. Não me importava em não respirar, ou na substância estranha entrando por minha garganta e invadindo meus pulmões. Senti o coração pulsar tão rápido, mas não interessava. Uma paz invadia minha mente, e todo meu ser, como há tempos não sentia. Já de olhos fechados, aproveitando cada segundo daquilo que pareceria ser a morte. Não sentia mais meu corpo, eu era só alma? Porém não me via de longe, nem sequer via a tal luz! Pensei nele, e a serenidade que eu sentia fora embora. Não sei se chorei, mas senti um desespero terrível. Não tinha mais noção de nada, só que ele não estava ali. O que aconteceria? Pra onde eu iria? E então eu senti meu corpo explodir, um calor tomou conta de mim. Não sei quanto tempo passou, não sei se fiquei inconsciente, ou se simplesmente me perdi nos segundos. Mas eu estava na praia. Senti a areia em minhas costas, abri os olhos, o sol fraco, o dia ainda era meio noite. Escutei uma voz chamando meu nome. Demorei pra encontrar minhas pernas, e mesmo assim não conseguí movê-las. Levantei os olhos. Uma cabeça apareceu em minha frente. Fez sombra na pouca claridade que havia. Meu cérebro custou a processar o que estava diante dos olhos. Lá estava ele, como um sonho. Como uma miragem. Delírio? Com que força eu batera a cabeça? Estava no céu? Tantas perguntas, e eu só precisava do abraço dele. Ali, diante de mim, e eu com medo de piscar pra não perder nada. Queria levantar-me, mas onde estava a ligação entre meu corpo e minha mente? Seus olhos olhando pros meus, como na última vez. O brilho em seu rosto, o sorriso, o único sorriso capaz de calar todos os meus anseios. Ele movia os lábios, meus ouvidos faziam um barulho estranho, mas eu não era capaz de distinguir o que era. Estava ele dizendo alguma coisa? Meu corpo estremeceu, a visão foi escurecendo. O que eu faria? E se ele fosse embora de novo? Não adiantou... Dessa vez tenho certeza que apaguei, pois acordei (novamente?) na praia, senti a areia em minhas costas, abri os olhos, o sol fraco, o dia ainda era meio noite. Escutei, dessa vez, não só uma voz, mas vária chamando meu nome. Demorei pra encontrar minhas pernas, e mesmo assim não conseguí movê-las. Levantei os olhos. Uma cabeça apareceu em minha frente. Mas dessa vez não era ele...
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