Lembro-me do jeito dele me olhar, e da forma com que nos embebedamos, a taça de vinho, as garrafas de cerveja vazias, as cinzas do cigarro, as estrelas que se via da janela, nono andar? não sei. eu estava tão nervosa que não reparei em nada além dele e das minhas mãos trêmulas. Ele estava ali, eu estava ali, e era assim que tinha que ser.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Uma noite e um dia
Solta esse cabelo, ele me disse, tu é linda. Não tínhamos muito o que falar, ele era quase um estranho pra mim, nos olhavámos e nada dizia, ele sorria, eu sorria de volta, a música tocando no rádio parecia fazer parte de tudo aquilo, o cheiro do insenso queimando, a cama ainda arrumada, nós, ainda vestidos, ali, como em um sonho, eu queria aproveitar cada instante, ouvir cada respiração dele, tocar em cada parte do seu corpo, olhar pra cada olhar dele, pois sabia que logo iria embora, e me separaria dele. Eu o beijei como nunca havia beijado ninguém, havia uma força, um sentimento que não era amor, mas que era bonito e eterno, praquele momento, eu esperava. Eu o tive por inteiro durante uma noite e um dia, e eu sabia, ah, se sabia, no dia seguinte beberia para amenizar a falta dele, e me odiaria, passaria semanas o procurando em qualquer lugar, em vão, me entregaria a qualquer um, embrigada gritaria por seu nome até ser largada por aquele novo estranho. Iria embora, sentaria no canto do quarto, apagaria as luzes, e enlouqueceria. Eu queria ter parado o tempo, eu o olhava dormir enquanto amanhecia. Por que? eu queria a noite, mas eu não podia mudar nada. Ele era tudo o que eu tinha por uma noite e um dia. E depois tudo acabava.
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